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O que é o canino incluso

Um dente incluso é aquele que se formou mas não irrompeu na arcada, permanecendo retido dentro do osso ou sob a gengiva. Depois do siso, o canino superior é o dente que mais frequentemente fica nessa situação.

O canino tem um percurso longo até chegar à boca e irrompe relativamente tarde, quando os vizinhos já ocuparam seus lugares. Falta de espaço na arcada, posição desfavorável do germe dentário, permanência prolongada do canino de leite e obstáculos no caminho são as causas mais comuns da retenção.

O canino não é um dente qualquer: tem raiz longa, guia os movimentos laterais da mandíbula e sustenta o canto do sorriso. Por isso a primeira pergunta diante de um canino incluso não é como extrair, mas se é possível trazê-lo para a arcada.

Tracionar ou extrair

Quando a posição é favorável e o paciente está em idade adequada, o caminho preferencial costuma ser o tracionamento ortodôntico: uma pequena cirurgia expõe a coroa do dente incluso, um acessório é colado nela e o aparelho ortodôntico conduz o dente até a arcada ao longo de meses. Assim o canino é preservado.

A extração é indicada quando esse percurso não é viável: dente em posição muito desfavorável ou horizontalizada, anquilose (dente fundido ao osso, que não se move), reabsorção já instalada nas raízes dos dentes vizinhos, presença de cisto associado ou idade avançada, em que o tracionamento tem menos previsibilidade.

A decisão é conjunta entre o cirurgião e o ortodontista, e depende da tomografia — é ela que mostra a posição tridimensional exata do dente e sua relação com as raízes vizinhas.

Por que não deixar como está

Um canino incluso pode permanecer anos sem causar sintoma nenhum, e não é raro ser descoberto por acaso em uma radiografia. Isso leva à pergunta razoável: se não dói, por que mexer?

O risco principal é a reabsorção das raízes dos dentes vizinhos. A coroa do canino incluso pode pressionar a raiz do incisivo lateral ou central e dissolvê-la progressivamente, de forma silenciosa. Quando descoberta tarde, essa reabsorção pode custar o dente vizinho — um dente saudável perdido por causa de outro que nunca nasceu.

Há ainda a possibilidade de formação de cistos ao redor da coroa retida. Por isso, mesmo sem sintomas, a conduta diante de um canino incluso é a avaliação com imagem e o acompanhamento, não simplesmente ignorar.

Como funciona, em etapas

  1. Avaliação e tomografiaA tomografia define a posição tridimensional do dente incluso, sua relação com as raízes vizinhas e a presença de reabsorções ou cistos.
  2. Decisão conjuntaCirurgião e ortodontista avaliam a viabilidade do tracionamento; a extração é indicada quando essa via não é possível.
  3. Planejamento cirúrgicoDefine-se o acesso, considerando a posição do dente e a proximidade de estruturas anatômicas.
  4. CirurgiaCom anestesia local, a região é acessada e o dente é removido, muitas vezes dividido em partes para preservar o osso ao redor.
  5. Sutura e orientaçõesA região é suturada e você recebe a prescrição e as instruções de pós-operatório.
  6. RetornoConsulta de controle para avaliar a cicatrização e remover os pontos, além do planejamento da reabilitação do espaço quando indicada.

Profissional responsável

Dr. Plínio Abel Alexandre, especialista em odontologia hospitalar e em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial na Clínica Odontológica Dr. Guilherme Peter

Dr. Plínio Abel Alexandre

Especialista em Odontologia Hospitalar e em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial CRO/RS 25.222

Especialista em Odontologia Hospitalar e em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, conduz os casos cirúrgicos de maior complexidade da clínica.

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Dúvidas frequentes

Por que o canino não nasceu?

As causas mais comuns são falta de espaço na arcada, posição desfavorável do germe dentário, permanência prolongada do canino de leite e obstáculos no trajeto de erupção.

É melhor tracionar ou extrair?

Quando a posição é favorável e a idade permite, tracionar preserva o canino, que tem papel importante na mordida e no sorriso. A extração é indicada quando o tracionamento não é viável.

Posso deixar o dente incluso sem tratar?

Não é o recomendado. Mesmo sem sintomas, ele pode reabsorver a raiz dos dentes vizinhos de forma silenciosa e dar origem a cistos. A conduta é avaliar com imagem e acompanhar.

A cirurgia dói?

É feita com anestesia local. No pós-operatório é comum haver inchaço e desconforto por alguns dias, controlados com a medicação prescrita.

Como fica o espaço depois da extração?

Depende do caso. O espaço pode ser fechado ortodonticamente ou reabilitado com implante ou prótese. Isso é planejado antes da cirurgia.

Qual a idade ideal para tratar?

Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as chances de conduzir o dente à arcada. Por isso o acompanhamento radiográfico na infância e na adolescência é importante.

A tomografia é mesmo necessária?

Sim. A radiografia comum não mostra com precisão a posição tridimensional do dente nem o grau de reabsorção nas raízes vizinhas, informações que definem a conduta.

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Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Souza Peter, CRO/RS 28.499.