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O que é e para quem é indicada

Os freios são pregas de tecido que ligam estruturas móveis da boca. O freio labial conecta o lábio à gengiva, e o freio lingual liga a parte de baixo da língua ao assoalho da boca. Ambos são estruturas normais — o que se trata não é a existência deles, mas a inserção alterada, quando ela interfere na função ou na posição dos dentes.

A frenectomia é a remoção ou o reposicionamento cirúrgico dessa prega. É um procedimento pequeno, feito em consultório com anestesia local.

A indicação não se baseia na aparência do freio isoladamente, mas no que ele está causando: limitação de movimento da língua, dificuldade na amamentação, espaço entre os dentes da frente que não fecha, retração de gengiva ou prótese que não se acomoda.

Freio lingual: a língua presa

Quando o freio lingual é curto ou se insere muito próximo à ponta da língua, o movimento fica limitado — condição popularmente chamada de língua presa, ou anquiloglossia.

Em bebês, isso pode dificultar a pega no seio e comprometer a amamentação, com dor para a mãe e ganho de peso insuficiente para o bebê. A avaliação nesse período é feita com teste específico, e a decisão envolve também a equipe que acompanha a amamentação.

Em crianças maiores e adultos, a limitação pode afetar a fala — especialmente sons que exigem elevação da língua — e dificultar a higiene bucal, já que a língua não alcança para limpar as laterais. Nesses casos a avaliação costuma ser conjunta com a fonoaudiologia, e a terapia fonoaudiológica após a cirurgia é parte relevante do resultado.

Freio labial e o espaço entre os dentes

Um freio labial superior com inserção baixa, que desce entre os dois incisivos centrais, pode manter aberto o espaço entre eles — o diastema. Nesses casos, a frenectomia costuma ser combinada com o tratamento ortodôntico.

A ordem importa. Em boa parte dos casos, a conduta é fechar o espaço com o aparelho primeiro e fazer a cirurgia depois, porque a cicatriz da frenectomia realizada antes pode dificultar a aproximação dos dentes. A sequência é definida em conjunto pelo cirurgião e pelo ortodontista.

Vale lembrar que nem todo diastema é causado pelo freio. Diferença entre o tamanho dos dentes e a arcada, dentes ausentes e hábitos também produzem espaço, e a cirurgia só faz sentido quando o freio é de fato o fator envolvido.

Na arcada inferior, o freio labial com inserção alta pode tracionar a gengiva e contribuir para retração gengival, outra indicação de correção.

Como funciona, em etapas

  1. AvaliaçãoExame clínico da inserção do freio, do movimento que ele limita e da relação com os dentes, muitas vezes em conjunto com ortodontista ou fonoaudiólogo.
  2. Indicação e momentoDefine-se se a cirurgia é necessária e em que momento, considerando a etapa do tratamento ortodôntico quando houver.
  3. Anestesia localA região é anestesiada; o procedimento costuma ser rápido.
  4. CirurgiaO freio é removido ou reposicionado, conforme a técnica indicada para o caso.
  5. Sutura e orientaçõesA região recebe sutura quando necessário e você recebe as instruções de cuidados e alimentação.
  6. Retorno e exercíciosConsulta de controle para avaliar a cicatrização. Nos casos de freio lingual, o acompanhamento fonoaudiológico e os exercícios são determinantes no resultado.

Profissional responsável

Dr. Plínio Abel Alexandre, especialista em odontologia hospitalar e em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial na Clínica Odontológica Dr. Guilherme Peter

Dr. Plínio Abel Alexandre

Especialista em Odontologia Hospitalar e em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial CRO/RS 25.222

Especialista em Odontologia Hospitalar e em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, conduz os casos cirúrgicos de maior complexidade da clínica.

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Dúvidas frequentes

Frenectomia dói?

O procedimento é feito com anestesia local. No pós-operatório costuma haver desconforto leve por alguns dias, controlado com a medicação orientada.

Qual a idade indicada?

Depende do caso. Em bebês com dificuldade de amamentação, a avaliação é feita nos primeiros meses. Em casos ligados a diastema, costuma ser combinada com o momento do tratamento ortodôntico.

Toda língua presa precisa de cirurgia?

Não. A indicação depende da limitação funcional que o freio causa na amamentação, na fala ou na higiene, avaliada por teste específico, e não apenas da aparência do freio.

A frenectomia fecha sozinha o espaço entre os dentes?

Geralmente não. A cirurgia remove o fator que mantém o espaço aberto, mas o fechamento costuma exigir tratamento ortodôntico, e a ordem dos procedimentos é definida em conjunto.

Como é a recuperação?

Costuma ser rápida. Nos primeiros dias a orientação é manter alimentação mais fria e macia e higiene cuidadosa na região. Os pontos, quando usados, são removidos no retorno.

Preciso de fonoaudiólogo depois?

Nos casos de freio lingual, com frequência sim. A cirurgia libera o movimento, mas a reeducação da língua e da fala depende do acompanhamento fonoaudiológico.

O freio pode voltar a se inserir?

A recidiva é possível, sobretudo quando a cicatrização ocorre sem os exercícios orientados. O acompanhamento no pós-operatório reduz esse risco.

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Conteúdo revisado por Dr. Guilherme Souza Peter, CRO/RS 28.499.